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Sexta-feira, 11 de setembro de 202622:19
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Investimento em dólar ainda perde para renda fixa brasileira, mesmo após mudança no IOF

Investimento em dólar ainda perde para renda fixa brasileira, mesmo após mudança no IOF

Notas de dólar sobre mesa de trabalho

São Paulo — A recente queda na cobrança de IOF sobre remessas internacionais mexeu bastante com o modelo de negócio das contas em moeda estrangeira. Aplicativos bastante populares, a exemplo de Wise e Nomad, deixaram de focar apenas no câmbio tradicional e fecharam parcerias estratégicas com corretoras, como a Genial Investimentos, para oferecer opções de renda fixa no exterior. A ideia por trás dessa movimentação é aproveitar a alíquota menor para transações de aporte financeiro, o que barateia o envio de dinheiro para fora e expande o leque de investimentos em dólar para o público brasileiro.

Mudança no IOF impulsiona nova oferta de produtos

Até pouco tempo atrás, o imposto sobre remessas variava entre 3,5% e 0,38%, conforme o objetivo da operação. Com a nova regulamentação, enviar recursos com foco exclusivo em aportes internacionais passou a ter uma alíquota fixa de 1,1%, bem abaixo da taxa cobrada em uma simples conversão de moeda para viagens ou consumo.

Para tirar proveito dessa facilidade, as plataformas lançaram portfólios variados:

  • Fundos que prometem rendimentos em dólar, euro ou libra;
  • ETFs de renda fixa nos EUA negociados em bolsas estrangeiras;
  • Títulos de dívida corporativa emitidos por grandes companhias globais.

Comparação de retornos: Brasil x Estados Unidos

A promessa de ver o patrimônio crescer em moeda forte atrai o investidor que já tem o hábito de priorizar a segurança. No entanto, ao colocar os números na ponta do lápis, o abismo de rentabilidade entre os títulos do governo americano e as opções do mercado nacional salta aos olhos.

Nos Estados Unidos
Títulos públicos de prazos curtos e intermediários entregam, na média, de 4% a 5% anuais em dólar. Quando retiramos a inflação americana dessa conta, o ganho real encolhe para um intervalo entre 1% e 2% ao ano.

No Brasil
Enquanto isso, o Tesouro Direto costuma pagar cerca de 15% ao ano em reais. Mesmo com a inflação local pressionada, o ganho real permanece firme entre 9% e 10%. Além disso, ativos privados chegam a remunerar até 17% ao ano, com destaque para alternativas isentas de Imposto de Renda — como LCI, LCA e debêntures incentivadas — que garantem que quase todo esse lucro fique no bolso de quem investe.

Risco e proteção: FGC segue como diferencial brasileiro

O correntista brasileiro ainda conta com a rede de segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira caso ocorra alguma quebra bancária. No exterior, não existe um mecanismo equivalente que una taxas elevadas e blindagem parecida para o pequeno investidor. Essa vantagem competitiva mantém a renda fixa brasileira no topo das preferências, mesmo para quem quer diversificar o capital.

Comportamento do câmbio recente desafia tese de dolarização

Apesar de o dólar ser a principal moeda de reserva do planeta e ter acumulado ganhos frente ao real ao longo de muitas décadas, o comportamento dos últimos cinco anos demonstra bastante estabilidade. Quem tirou dinheiro do país para apostar em fundos dolarizados acabou perdendo a oportunidade de surfar a onda dos juros generosos pagos internamente.

Levando em conta a soma dos juros reais acumulados no Brasil — que bateram a marca de 89% no período — e a cotação da moeda americana praticamente de lado, optar por dolarizar todo o patrimônio acabou gerando um resultado financeiro menor do que o de quem manteve os recursos aplicados aqui dentro.

Custo tributário segue pesando na remessa

Mesmo com a trégua na alíquota, transferir dinheiro para fora exige pagar aquele 1,1% inicial de IOF. Somado a isso, os produtos estrangeiros podem cobrar taxas de custódia e imposto sobre ganho de capital caso o investidor decida resgatar e repatriar o montante acima das faixas de isenção.

Perfil de uso: proteção cambial x busca de retorno

Olhando para o cenário macroeconômico atual, o dólar continua tendo um papel importante como ferramenta de proteção de patrimônio e diversificação geográfica. Contudo, os dados mostram que a renda fixa nacional segue imbatível no quesito rentabilidade real e líquida. Para quem busca exclusivamente multiplicar o capital, as alternativas em moeda estrangeira passam longe dos ganhos oferecidos pelas opções domésticas.

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Perguntas frequentes (FAQ)

1. O IOF sobre remessas para investimento continua alto?
Não. As operações voltadas estritamente para aplicações financeiras agora contam com uma alíquota reduzida de 1,1%, bem menor do que o imposto cobrado em compras comuns de moeda.

2. Vale a pena abrir conta em plataformas como Wise ou Nomad apenas para renda fixa?
Esses aplicativos trazem muita praticidade para quem deseja dolarizar parte do patrimônio, mas o retorno financeiro da renda fixa brasileira ainda é consideravelmente superior.

3. O que é FGC e como ele protege o investidor?
Trata-se do Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo que assegura até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira caso ocorra falência do banco, trazendo mais segurança para aplicações locais.

4. A renda fixa em dólar pode superar a brasileira no longo prazo?
Historicamente, isso é improvável. O Brasil tradicionalmente oferece um dos maiores prêmios de juros reais do mundo, mantendo a vantagem competitiva dos títulos internos.

5. Quais são as vantagens de ter parte do patrimônio em dólar?
Ter dinheiro fora do país ajuda a se defender de crises domésticas, diminui a volatilidade da carteira e facilita o acesso ao mercado global, embora exija aceitar lucros menores.

Gráfico de câmbio e calculadora

Mesmo com as facilidades trazidas pelas mudanças recentes no IOF, os números revelam que o mercado interno continua entregando o melhor combo de juros atrativos, garantia do FGC e excelente ganho real. Para quem pensa em ter exposição internacional, os ativos dolarizados servem como um ótimo complemento, mas dificilmente substituem a rentabilidade dos produtos locais.

Com informações de A Revista

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Você prefere buscar rentabilidade alta na renda fixa brasileira ou prefere dolarizar parte do seu patrimônio lá fora? Deixe sua opinião nos comentários!

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Escrito por

Jonas

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