Atualização “Fusaka” do Ethereum entra em operação nesta quarta-feira; veja os 13 EIPs e seus impactos

São Paulo, 2 de abril de 2024 – A blockchain do Ethereum, reconhecida globalmente como a segunda maior rede de criptoativos, prepara-se para mais um marco técnico em sua trajetória. Nesta quarta-feira, 3 de abril, o protocolo recebe a aguardada atualização batizada de Fusaka. Trata-se de um pacote abrangente que reúne 13 Propostas de Melhoria do Ethereum, conhecidas como EIPs, com foco central na expansão da capacidade da rede, na contenção dos custos de transação e no fortalecimento da segurança para validadores e usuários comuns.
O que muda com a Fusaka
Seguindo os passos de marcos históricos anteriores, como a Merge — que consolidou a migração para o modelo de Proof-of-Stake — e o pacote Dencun, responsável por introduzir os blobs de dados, a Fusaka chega para desafogar a infraestrutura. O crescimento acelerado das redes de layer 2 e dos rollups gerou novos gargalos que exigem soluções estruturais. A proposta agora é garantir que o processamento de dados ocorra de forma muito mais fluida, sem abrir mão da descentralização ou da robustez em segurança.
Resumo dos 13 EIPs incluídos
EIP-7594 – PeerDAS
Revoluciona a forma como os dados de blobs são tratados por meio da amostragem distribuída. Cada nó da rede passa a armazenar apenas uma fração do todo, o que amplia a capacidade geral sem exigir atualizações drásticas de hardware dos participantes.
EIP-7892 – Blob-Parameter-Only (BPO) forks
Oferece flexibilidade ao permitir o aumento gradual do número de blobs por bloco sem a necessidade de hard forks complexos. A capacidade pode saltar de 6 para até 128 unidades, duplicando o volume suportado logo após o primeiro mês de operação.
EIP-7918 – Blob base-fee tuning
Estabelece um preço mínimo lógico para os blobs, atreando-o diretamente aos custos de gás da camada principal. A medida corrige distorções de mercado que mantinham taxas artificialmente próximas de zero.
EIP-7935 – Gas limit padrão de 60M
Eleva o teto de gás operacional dos blocos para 60 milhões, injetando mais fôlego no throughput da rede e reduzindo significativamente os episódios de congestionamento.
EIP-7642 – Aviso de expiração de histórico
Padroniza a forma como os nós reportam dados antigos. Ao deixarem de guardar blocos pesados desnecessários, os operadores economizam mais de 500 GB em espaço de armazenamento durante o processo de sincronização.
EIP-7951 – Precompile secp256r1 (P-256)
Insere suporte nativo à curva criptográfica amplamente utilizada em smartphones iOS e Android. Isso abre portas para carteiras digitais integradas diretamente à biometria e ao Face ID.
EIP-7917 – Deterministic proposer lookahead
Organiza de forma antecipada quem será o responsável por propor o próximo bloco, viabilizando transações com pré-confirmações quase instantâneas diretamente no layer 1.
EIP-7825 – Limite de gás por transação
Coloca um teto de 16,7 milhões de unidades de gás por transação isolada, criando uma barreira natural contra tentativas de spam e ataques coordenados à rede.
EIP-7934 – Limite de tamanho de bloco (10 MB)
Determina um limite máximo de 10 MB por bloco gerado, reforçando a proteção contra episódios de negação de serviço e sobrecarga sistêmica.
EIP-7910 – Método JSON-RPC eth_config
Padroniza a comunicação para que os nós divulguem exatamente qual versão de hard fork estão executando, minimizando os riscos de divisões indesejadas na rede.
EIP-7939 – Opcode CLZ (count leading zeros)
Introduz uma nova instrução computacional focada em contar zeros à esquerda em dados de 256 bits, barateando a execução de contratos inteligentes e provas de conhecimento zero.
EIP-7823 – Limite de entrada no precompile MODEXP
Fixa um teto de 8.192 bits por campo em operações matemáticas complexas, prevenindo falhas de software geradas por entradas de dados excessivamente longas.
EIP-7883 – Reprecificação de gás do MODEXP
Recalcula os custos cobrados pela função MODEXP para alinhar a cobrança ao esforço computacional real exigido dos validadores.
Impacto prático para a rede
Com a chegada da Fusaka, o ecossistema de finanças descentralizadas, o mercado de jogos baseados em blockchain e as soluções corporativas ganham fôlego. As taxas tendem a ficar mais previsíveis, enquanto os validadores passam a lidar com blocos mais enxutos. A aproximação com os sistemas móveis também demonstra a maturidade do projeto em buscar uma base sólida para adoção em massa.
Benefícios esperados
- Maior escalabilidade estrutural para soluções secundárias e rollups.
- Otimização inteligente de gas fees, gerando um ambiente mais competitivo.
- Redução expressiva de 500 GB na sincronização de nós validadores.
- Respostas e confirmações de bloco ágeis por meio de predições determinísticas.
- Blindagem mais eficiente contra ataques de spam e instabilidades.
Como a atualização será implementada
O ecossistema técnico já assimilou as modificações nos principais clientes da rede. Cabe aos operadores de nós validadores apenas certificar-se de que utilizam o software devidamente atualizado para garantir a participação ininterrupta no consenso. Para quem apenas mantém criptoativos em carteiras ou exchanges, nenhuma intervenção manual é necessária.

Imagem: Internet
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Perguntas frequentes (FAQ)
1. O que é a atualização Fusaka do Ethereum?
Trata-se de um conjunto robusto com 13 EIPs implementadas para otimizar a escalabilidade, refinar custos de transação e elevar a segurança da rede.
2. Investidores precisam mover seus ethers antes da atualização?
Não. Os saldos mantidos em carteiras particulares ou plataformas centralizadas permanecem totalmente seguros e acessíveis.
3. A atualização afeta taxas de transação imediatamente?
A expectativa é de alívio progressivo nos custos operacionais, especialmente nas redes de segunda camada, variando conforme a dinâmica de uso da rede.
4. Validadores devem fazer algo?
Sim, é indispensável que os operadores atualizem seus softwares para as versões compatíveis antes da ativação oficial dos blocos.
5. O que muda para desenvolvedores de contratos inteligentes?
Novos recursos computacionais reduzem custos operacionais e facilitam a criação de ferramentas com autenticação via dispositivos móveis.
6. A rede ficará mais rápida?
Com ajustes no limite de gás e na organização dos blocos, o fluxo de transações ganha agilidade e previsibilidade.
7. Há risco de divisão de cadeia (hard fork contencioso)?
Não há indícios de resistência significativa, visto que os principais desenvolvedores e clientes adotaram o código em total harmonia.
8. Qual a diferença entre Fusaka e Dencun?
Enquanto o Dencun inaugurou o uso de blobs, a Fusaka amplia essa capacidade, ajusta preços e introduz melhorias profundas de infraestrutura.
9. A atualização altera o mecanismo Proof-of-Stake?
Nenhuma modificação é feita no modelo de consenso principal, que continua operando em Proof-of-Stake.
10. Como acompanhar o status em tempo real?
Basta utilizar exploradores de blocos tradicionais, como o Etherscan, para visualizar os registros do novo protocolo em funcionamento.
Com a efetivação da Fusaka, o Ethereum consolida mais um passo fundamental em seu cronograma tecnológico, pavimentando o caminho para o avanço das finanças descentralizadas e da economia digital baseada em registros distribuídos.
Com informações de Portal do Bitcoin
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