Inteligência artificial domina agenda dos mercados e sustenta preferência da BlackRock por ações dos EUA

A BlackRock, maior gestora de recursos do planeta, classificou a inteligência artificial (IA) como a principal megaforça que hoje remodela a economia mundial e os portfólios dos investidores. Em relatório recente, a casa afirma que a escalada do consumo de capital para construir infraestrutura de IA altera profundamente as dinâmicas financeiras, políticas e sociais, ao mesmo tempo em que impulsiona as bolsas norte-americanas a níveis históricos.

Gasto de capital muda o jogo

De acordo com o documento, o ciclo em curso marca a transição de um crescimento econômico “leve em capital” para um modelo “intensivo em capital”. Esse movimento exige desembolsos bilionários em data centers, semicondutores, redes de alta velocidade e pesquisa tecnológica. Embora exista esperança de que receitas futuras validem o volume de investimentos, a BlackRock reconhece incertezas sobre quais companhias vão capturar esses ganhos.

Preferência por ações dos EUA, apesar do cenário macro

Axel Christensen, estrategista-chefe para América Latina, ressalta que a gestora continua sobreponderada em ações americanas. Segundo ele, a escolha não decorre de uma visão otimista sobre a economia dos Estados Unidos, ainda sujeita a dúvidas quanto à inflação, ao mercado de trabalho e ao endividamento público. O fator decisivo, explica, é a maior concentração de empresas preparadas para lucrar com IA. “Se analisarmos geograficamente onde estão os setores com exposição direta à inteligência artificial, os EUA lideram”, resume.

Financiamento: crédito deve ganhar espaço

O estudo observa que, até o momento, poucas companhias precisaram recorrer ao mercado para levantar recursos voltados a IA. Porém, a expectativa da BlackRock é que essa realidade mude em breve. A casa projeta que o crédito corporativo se tornará a principal fonte de financiamento, dado o montante expressivo de capital necessário. Esse caminho tende a elevar a alavancagem e, por consequência, o risco sistêmico, sobretudo em um ambiente de governos já fortemente endividados.

Diversificação tradicional em xeque

Outro ponto destacado pela gestora refere-se à “miragem” de diversificação. Historicamente, investidores reduziram risco combinando renda variável e renda fixa. Entretanto, a BlackRock aponta que, com a volatilidade dos títulos públicos americanos em alta, a capacidade dos papéis de dívida para amortecer quedas do mercado acionário diminuiu. “Não vemos a renda fixa como escudo de proteção, como ocorria com títulos de duração longa”, comenta Christensen.

Plano B: ouro, dólar fraco e ativos digitais

Diante desse quadro, a gestora recomenda portfólios com plano B claro e flexibilidade para ajustes rápidos. Alocações não convencionais, como ouro ou mercados privados, ganham relevância. O dólar, por sua vez, recuou 8 % no ano frente a uma cesta de moedas, estimulando a migração de parte dos recursos para outras divisas. O movimento também impulsionou buscas por criptoativos, enquanto o metal precioso alcançou recordes de preço, servindo como refúgio em momentos de moeda norte-americana mais fraca.


Servidores em data center, base da infraestrutura de IA

Tamanho do impacto econômico

O relatório enfatiza que o volume de gastos já contratados para erguer a base da IA é suficientemente grande para afetar cadeias produtivas inteiras. Mais do que apenas tecnologia, o fenômeno alcança siderurgia, energia, logística e até políticas públicas, dada a necessidade de eletricidade e conectividade. O documento defende que esse é um momento propício para estratégias ativas de seleção de ações, pois a capacidade de identificar “vencedores” pode gerar retornos diferenciados em relação aos índices de referência.

IA como megaforça: três eixos centrais

A BlackRock divide a tendência em três frentes:

  1. Construção da infraestrutura: aquisição de hardware, expansão de redes e contratação de energia elétrica.
  2. Adaptação das empresas: incorporação de IA em processos produtivos para ganho de eficiência.
  3. Monetização e captura de dados: novos modelos de negócio baseados em análise de informações em larga escala.

Risco político e fiscal

O documento relembra que governos também estão mais vulneráveis. Além da dívida pública elevada, picos de rendimento nos títulos soberanos podem surgir quando bancos centrais equilibram preocupações inflacionárias e sustentabilidade fiscal. Esse ambiente adiciona outra camada de incerteza a quem precisa acessar mercados de capitais para financiar projetos de IA.


Circuito de inteligência artificial em placa eletrônica

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Perguntas frequentes (FAQ)

O que a BlackRock considera a principal megaforça atualmente?
A gestora aponta a inteligência artificial como a megaforça dominante que molda a economia e os mercados no momento.

Por que a gestora prefere ações dos Estados Unidos?
Apesar das incertezas macroeconômicas, as empresas americanas concentram os setores mais alinhados à captura de valor com IA, motivando a sobreponderação.

Quais são os principais riscos citados?
Elevação da alavancagem corporativa, maior volatilidade na renda fixa e vulnerabilidade fiscal dos governos.

A diversificação tradicional ainda funciona?
Segundo o relatório, a correlação entre ações e títulos subiu, tornando menos efetiva a estratégia clássica de mesclar esses ativos para reduzir risco.

Quais alternativas de proteção são sugeridas?
A BlackRock menciona ouro, mercados privados e exposição a outras moedas ou ativos digitais como potenciais fontes de diversificação.

Último parágrafo: A BlackRock conclui que investidores precisam monitorar a evolução dos gastos em IA e manter flexibilidade para ajustar alocações, já que o ritmo de mudanças tecnológicas e as condições de financiamento podem se alterar rapidamente.

Com informações de Bora Investir (B3)

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