Um levantamento recente examinou dez cofrinhos, caixinhas e porquinhos de bancos tradicionais e instituições digitais brasileiras. O estudo avaliou rentabilidade, limites de aplicação, garantias (FGC ou Tesouro Nacional), regras de movimentação e eventuais condições que possam reduzir o ganho do investidor. A análise focou em identificar quais produtos realmente se destacam como alternativas para reserva de emergência.
O que são cofrinhos, caixinhas e porquinhos
Esses nomes descrevem produtos de renda fixa acessíveis diretamente nos aplicativos das instituições financeiras. Entre suas características principais estão a interface simples, a possibilidade de criar metas específicas, liquidez diária na maioria dos casos e comunicação focada em reserva de emergência.
Metodologia do estudo
A classificação levou em conta cinco critérios:
- Rentabilidade: de 30% a 121% do CDI.
- Limites de aplicação: variando de R$ 5 mil a valores sem teto declarado.
- Garantia: proteção do FGC ou do Tesouro Nacional.
- Liquidez: possibilidade de resgate diário.
- Condições adicionais: exigências de movimentação ou assinatura que impactam o retorno.
CDI, Selic e garantias
O CDI é a principal referência para investimentos de renda fixa pós-fixados. Quando um cofrinho promete 100% do CDI, significa que acompanhará essa taxa. A Selic, definida pelo Banco Central, determina a tendência dos juros na economia e costuma ficar levemente acima do CDI.
Quanto às garantias, os produtos analisados se dividem em duas categorias:
- CDBs ou RDBs cobertos pelo FGC – até R$ 250 mil por instituição e limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos.
- Aplicações em títulos públicos federais – sem FGC, mas com respaldo do Tesouro Nacional.
Ranking completo: do menos atraente ao mais vantajoso
- Porquinho Dia a Dia – Banco Inter
Rentabilidade: 80% do CDI
Liquidez: diária
Garantia: FGC
Limite: sem teto específico
Destaque negativo: rendimento abaixo de 100% do CDI. - Cofrinho – PagBank
Rentabilidade: 30% do CDI até 1 ano; 100% do CDI entre 12 e 18 meses; 130% do CDI entre 18 e 24 meses
Liquidez: diária (com perda de rendimento em resgates antecipados)
Garantia: FGC
Limite: R$ 10 mil
Observação: faixa de 130% do CDI exige permanência mínima de 18 meses. - Cofrinho – Banco do Brasil
Estrutura: fundo de renda fixa simples
Taxa de administração: ~0,5% a.a.
Rentabilidade observada: ~97% do CDI
Liquidez: diária
Garantia: não tem FGC (por ser fundo)
Limite: sem teto
Comentário: taxa de administração reduz competitividade. - Cofrinho – Itaú
Rentabilidade: 100% do CDI
Liquidez: diária
Garantia: FGC
Limite: sem teto
Proposta: solução padrão para reserva de emergência. - Cofrinho normal – PicPay
Rentabilidade: 102% do CDI
Liquidez: diária
Garantia: FGC
Limite: não informado
Vantagem: remuneração acima de 100% do CDI sem requisitos extras. - Caixinha normal – Nubank
Rentabilidade: 100% do CDI
Produto: RDB com FGC
Liquidez: diária
Limite: sem teto
Diferencial: criação de múltiplas caixinhas por objetivo. - Caixinha Turbo – Nubank
Rentabilidade: 115% do CDI (cliente padrão) ou 120% do CDI (cliente premium)
Liquidez: diária
Garantia: FGC
Limite: R$ 5 mil (padrão) ou R$ 10 mil (premium)
Requisito para 115%: movimentar cerca de R$ 900 mensais na conta Nubank. - Cofrinho – Mercado Pago
Rentabilidade: 120% do CDI
Aplicação: títulos públicos federais
Liquidez: diária
Garantia: Tesouro Nacional
Limite: R$ 5 mil (padrão) ou R$ 10 mil (clientes Meli+ ou com movimentação ≥ R$ 1.000/mês). - Cofrinho Turbinado – PicPay
Rentabilidade: 121% do CDI
Liquidez: diária
Garantia: FGC
Limite: R$ 10 mil
Requisitos: assinatura PicPay+ ou movimentação de ~R$ 999 por mês e chave Pix cadastrada.
Posição: primeiro lugar em rentabilidade.
Simulação de rendimento em 12 meses
A título ilustrativo, a rentabilidade acumulada de R$ 1.000 por 12 meses (desconsiderando impostos) resultaria nos valores aproximados:
- Porquinho Dia a Dia – Inter (80% do CDI): R$ 1.111,92
- Cofrinho – PagBank (30% do CDI): R$ 1.045,00
- Cofrinho – Banco do Brasil (~97% do CDI): R$ 1.145,00
- Cofrinho – Itaú / Caixinha normal Nubank (100% do CDI): R$ 1.149,00
- Cofrinho normal – PicPay (102% do CDI): R$ 1.151,98
- Caixinha Turbo – Nubank (115% do CDI): R$ 1.171,35
- Cofrinho – Mercado Pago (120% do CDI): R$ 1.178,80
- Cofrinho Turbinado – PicPay (121% do CDI): R$ 1.180,29
Critérios para escolher um cofrinho de reserva
De acordo com o estudo, os produtos se mostram adequados quando incluem:
- Liquidez diária, permitindo resgates imediatos.
- Rentabilidade de pelo menos 100% do CDI.
- Garantia clara – FGC ou Tesouro Nacional.
- Ausência de carência que reduza ganhos em resgates antes de 12 meses.
- Limites compatíveis com o tamanho da reserva, respeitando a proteção do FGC.
Diversificar entre instituições também ajuda a diluir o risco dentro dos limites de cobertura disponíveis.
Palavras-chave mais buscadas
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Imagem: Eduardo Martins
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual cofrinho rende mais hoje?
O Cofrinho Turbinado do PicPay lidera o ranking, oferecendo 121% do CDI, sujeito a requisitos de movimentação ou assinatura.
Todos os cofrinhos têm proteção do FGC?
Não. Produtos lastreados em títulos públicos, como o cofrinho do Mercado Pago, não contam com FGC, mas têm a garantia do Tesouro Nacional.
Posso resgatar o dinheiro a qualquer momento?
A maioria permite resgate diário. Contudo, no Cofrinho do PagBank o rendimento cai drasticamente se o saque ocorrer antes de 12 meses.
Qual o limite de aplicação seguro em cada instituição?
Para produtos com FGC, o limite de cobertura é de R$ 250 mil por instituição, até R$ 1 milhão por CPF em quatro anos. Nos cofrinhos com títulos públicos, o risco é soberano e não há limite de garantia.
Vale a pena ter mais de um cofrinho?
A diversificação em diferentes bancos reduz a concentração de risco e mantém a aplicação dentro dos limites de proteção.
Última atualização: levantamento divulgado recentemente, sem data específica informada.
Com informações de A Revista