RIO DE JANEIRO – A Polícia Federal (PF) localizou R$ 90.050,00 em dinheiro vivo no veículo do deputado estadual Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A apreensão ocorreu na madrugada de quarta-feira, 3 de abril, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Bacellar é investigado por, supostamente, ter vazado detalhes da Operação Zargun e por possível vínculo com o Comando Vermelho.
Mandados judiciais executados
Ao todo, foram executados oito mandados de busca e apreensão, além de um mandado de intimação para aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. Todos os atos judiciais foram assinados pelo ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal informou que as medidas são consideradas necessárias para garantir a ordem pública, preservar a coleta de provas e impedir a continuidade das supostas infrações.
Suspeita de vazamento da Operação Zargun
De acordo com a investigação, Bacellar teria tido conhecimento antecipado da ação que resultou na prisão do também deputado TH Joias, em 3 de setembro de 2023. O parlamentar, detido por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, é acusado de negociar armas, fuzis e equipamentos antidrones para o Comando Vermelho. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF sustentam que Bacellar teria orientado Joias a remover eventuais provas antes da chegada dos agentes federais.
Registro de imagens em tempo real
Consta nos autos que, às 6h03 da manhã da deflagração da Zargun, TH Joias enviou a Bacellar fotos das câmeras internas de sua residência. As imagens mostravam policiais federais já dentro do imóvel, sugerindo, segundo o ministro Alexandre de Moraes, que o presidente da Alerj acompanhava a operação em tempo real. Esse fato reforçou a tese de que Bacellar interferiu de forma direta para obstruir a colheita de provas.
Imunidade parlamentar e prisão preventiva
Apesar da imunidade parlamentar, Alexandre de Moraes enquadrou as condutas investigadas como crime permanente ligado à atuação em organização criminosa. Por esse motivo, a Corte entendeu ser cabível a prisão preventiva, mesmo tratando-se de um deputado estadual em exercício. O ministro considerou insuficientes medidas alternativas, alegando risco de reincidência e possível dissipação de provas.
Quantia em espécie apreendida
Durante a busca no carro de Bacellar, agentes federais recolheram R$ 90.050,00 em notas de diversos valores. A PF não informou a procedência do dinheiro nem se o montante está diretamente ligado às suspeitas de favorecimento ao Comando Vermelho. Ainda assim, a quantia passa a integrar o rol de evidências anexadas ao inquérito.
Objetivo político, segundo a PF
No relatório encaminhado ao STF, investigadores afirmam que a principal motivação de Bacellar seria a manutenção de apoio eleitoral em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, que concentra milhões de eleitores no Estado do Rio de Janeiro. A PF aponta ainda que a cooptação de votos em regiões controladas pela facção teria potencial de fortalecer a base política do presidente da Alerj.
Repercussão na Alerj
A prisão preventiva de Rodrigo Bacellar provocou imediata repercussão no parlamento fluminense. Parlamentares aliados e oposicionistas aguardam a manifestação oficial da Mesa Diretora, que deve deliberar sobre eventual substituição temporária na presidência. Até a publicação desta matéria, o Estadão — citado no despacho do STF — tentava contato com a defesa do deputado.
Entenda a Operação Zargun
Lançada em setembro de 2023, a Zargun mirou um esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de armas para o Comando Vermelho, envolvendo políticos e empresários. A prisão de TH Joias foi considerada elemento central para desvendar as ramificações políticas do grupo. A operação incluiu cumprimento de mandados de busca em endereços residenciais, gabinetes parlamentares e empresas ligadas aos investigados.
Próximos passos do processo
Concluída a fase de busca e apreensão, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para oferecimento de denúncia ou arquivamento. Enquanto isso, Bacellar permanecerá preso preventivamente até nova deliberação do STF ou eventual revogação da medida cautelar.
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Imagens ilustrativas
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Perguntas frequentes (FAQ)
Quem é Rodrigo Bacellar?
Rodrigo Bacellar é deputado estadual pelo Rio de Janeiro e, até a deflagração da operação, presidia a Alerj.
Imagem: Internet
O que motivou a prisão preventiva?
Segundo decisão do STF, a prisão foi motivada pela suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun e por possível obstrução de justiça.
Qual o valor apreendido no carro do parlamentar?
Foram recolhidos R$ 90.050,00 em espécie.
O que investiga a Operação Zargun?
A operação apura crimes de tráfico de drogas, tráfico de armas, corrupção e lavagem de dinheiro, com foco na ligação de agentes políticos com o Comando Vermelho.
Quem é TH Joias?
TH Joias é ex-deputado estadual preso em 3 de setembro de 2023 por supostamente negociar armas e equipamentos para a facção criminosa.
Qual a participação do ministro Alexandre de Moraes?
O ministro do STF autorizou os mandados e considerou a medida essencial para impedir a continuidade dos crimes.
Há previsão de soltura?
Não há, até o momento, decisão sobre revogação da prisão; a situação dependerá de futuras manifestações do STF.
Como a Alerj deve proceder?
A Casa aguarda análise jurídica para definir quem assumirá a presidência interinamente.
A PF encontrou outras provas além do dinheiro?
O material apreendido inclui registros de câmeras de segurança enviados por TH Joias, mas detalhes adicionais não foram divulgados.
O que acontece com os R$ 90 mil apreendidos?
O valor ficará sob custódia judicial até que o processo determine sua destinação final.
Fim das informações.
Com informações de InfoMoney