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Sexta-feira, 11 de setembro de 202621:14
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Recorde em emissões de crédito privado fortalece captações e levanta sinal de alerta no mercado

Recorde em emissões de crédito privado fortalece captações e levanta sinal de alerta no mercado

São Paulo – O mercado de capitais brasileiro vive um momento de forte transformação. Entre janeiro e setembro de 2025, a emissão de títulos de crédito privado atingiu a impressionante marca de R$ 381,4 bilhões, respondendo por 72% de todas as captações do período, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Esse volume recorde acontece em um cenário desafiador, marcado por uma taxa Selic a 15% ao ano — o patamar mais elevado em duas décadas — e por ajustes nas regras de financiamento do BNDES. Para quem busca diversificar os investimentos, vale a pena conferir também nosso conteúdo sobre opções de rendimento na renda fixa e variável para entender como alocar melhor o patrimônio.

Recorde em emissões de crédito privado fortalece captações e levanta sinal de alerta no mercado

Cenário de juros altos e recuo do BNDES impulsionam emissões

Desde 2017, o BNDES tem adotado uma postura mais seletiva, reduzindo linhas com subsídios e focando prioritariamente em projetos de sustentabilidade, inovação e infraestrutura verde. Com o crédito bancário tradicional mais encarecido e restrito, as empresas encontraram no mercado de capitais uma alternativa direta e viável para captar recursos com investidores.

“O movimento ganhou força porque as companhias buscam manter projetos e equilibrar o caixa sem depender exclusivamente dos grandes bancos”, explica Diego Ramiro, presidente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI).

Principais instrumentos disponíveis

No vasto universo do crédito privado, os investidores encontram principalmente dois grandes grupos de títulos de renda fixa corporativa:

  • Debêntures – Títulos de dívida emitidos por sociedades anônimas. Podem ser incentivadas (focadas em infraestrutura e isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas) ou não incentivadas (sujeitas à tabela regressiva de IR de 22,5% a 15%).
  • Certificados de Recebíveis – Papéis lastreados em créditos de setores vitais da economia, que também oferecem isenção de IR para o investidor pessoa física. Dividem-se em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).

Tipos de títulos de crédito privado: debêntures, CRIs e CRAs

MP 1.303/2025 e corrida por isenção

De acordo com análises do BB Investimentos, o apetite recente foi impulsionado pelos debates em torno da Medida Provisória 1.303/2025, que propunha alterações na tributação de ativos financeiros. Embora a proposta original previsse elevar a alíquota de IR sobre LCIs e LCAs de 5% para 7,5% — mantendo intocada a isenção de debêntures incentivadas, CRIs e CRAs —, a medida acabou perdendo validade sem ser votada. Contudo, o receio de mudanças na carga tributária gerou uma corrida antecipada às emissões.

Riscos muitas vezes ignorados

Apesar de integrarem a classe de renda fixa, esses ativos carregam características bem diferentes dos tradicionais investimentos protegidos. Eles não contam com a garantia do Tesouro Nacional e tampouco com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

“O principal risco é o de crédito, ou seja, a possibilidade de a empresa emissora não honrar o pagamento dos juros ou do principal”, alerta Andressa Bergamo, sócia da AVG Capital.

Jeff Patzlaff, planejador financeiro, reforça que uma eventual situação de insolvência pode resultar na perda total do valor investido: “Diferentemente de CDBs e LCIs, o risco recai integralmente sobre quem aplica”.

Outro ponto crítico é a liquidez. Nem todos os papéis possuem mercado secundário ativo com negociação diária, o que pode forçar o investidor a carregar o título até o vencimento ou aceitar deságios acentuados caso precise resgatar antes do prazo. Os vencimentos costumam variar de dois a mais de dez anos, mantendo os recursos expostos aos ciclos da taxa Selic e à percepção de risco do mercado.

Spreads comprimidos reduzem prêmio de risco

A alta demanda também pressionou a rentabilidade oferecida. Após um volume histórico de R$ 124 bilhões negociados no mercado secundário em outubro, os spreads — isto é, o prêmio pago acima dos títulos públicos — encolheram consideravelmente. Relatórios do BB-BI apontam que houve uma correção parcial no final daquele mês, impactando o retorno de carteiras focadas nesses ativos.

Casos recentes de estresse corporativo

Marília Fontes, economista e sócia-fundadora da Nord Investimentos, chama a atenção para o fato de que a junção de juros elevados com spreads comprimidos pode abrir margem para novos episódios de estresse no mercado. Ela relembra ocorrências passadas envolvendo grandes companhias como Lojas Americanas e Light, além de tropeços recentes com emissões ligadas a marcas como Ambipar e Braskem, que provocaram perdas expressivas em determinados Certificados de Operações Estruturadas (COEs).

Aviso sobre riscos de crédito privado

Para quem o investimento faz sentido

Especialistas indicam que o crédito privado é mais adequado para investidores de perfis moderados ou arrojados, que compreendem a volatilidade e aceitam correr riscos de inadimplência em troca de retornos potencialmente superiores. Andressa Bergamo lembra que a tomada de decisão jamais deve se apoiar apenas na taxa de juros prometida: “É crucial avaliar rating, setor, garantias e a estrutura da operação”.

Nas carteiras recomendadas de grandes instituições, como o BB-BI, costumam figurar debêntures incentivadas de companhias bem avaliadas, a exemplo de nomes do setor elétrico e de saneamento. Ainda assim, Diego Ramiro pondera que o risco nunca é nulo: “Depois de episódios marcantes no varejo, ficou evidente que nenhum emissor é totalmente imune a crises”.

Prazos, tributação e estratégia de saída

Como a maioria das operações corporativas possui prazos estendidos, o investidor precisa ter tranquilidade para imobilizar capital por longos períodos. “Quanto maior o prazo, maior a oscilação de preço e a exposição a cenários desfavoráveis”, complementa Jeff Patzlaff. Nos papéis tributáveis, vale lembrar que a tabela regressiva do Imposto de Renda exige cautela redobrada na conta do ganho líquido.

Mercado segue atento aos próximos anos

As discussões sobre eventuais ajustes na tributação de investimentos continuam no radar dos especialistas. Caso novas diretrizes fiscais sejam implementadas, as empresas podem antecipar captações para aproveitar as regras vigentes, enquanto o investidor precisará ponderar com cuidado o equilíbrio entre rentabilidade e segurança.

Mesmo diante das incertezas macroeconômicas, o crédito privado consolida seu papel como ferramenta indispensável para o financiamento das empresas brasileiras, exigindo uma análise criteriosa de risco e prazo antes de qualquer aporte.

Com informações de G1

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Escrito por

Jonas

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