Nike substitui diretorias, cria cargo de COO e coloca chefes regionais na cúpula global

Em Beaverton, Oregon, a Nike anunciou na terça-feira, 2 de abril, uma ampla reorganização em sua camada executiva, marcando um passo considerado essencial para impulsionar o programa de recuperação “Win Now”. Segundo a companhia, o principal objetivo dessa mudança é simplificar a hierarquia corporativa, reduzir níveis de gestão e agilizar a tomada de decisões estratégicas voltadas ao mercado competitivo de artigos esportivos de desempenho.
Essa reestruturação traz alterações profundas no organograma, com a criação do posto de chief operating officer (COO) e a extinção das funções de chief technology officer (CTO) e chief commercial officer (CCO). Além disso, as áreas de vendas e operações diretas ao consumidor passam a responder diretamente à alçada financeira da empresa. Com essa nova configuração, a Nike busca alinhar distribuição, tecnologia, canais diretos e finanças sob um mesmo comando, eliminando redundâncias e ganhando agilidade operacional.
Outro destaque importante da remodelagem é a valorização dos líderes das quatro principais regiões geográficas da marca, que passam a se reportar diretamente ao CEO Elliott Hill. Foram confirmados na linha de frente:
- Angela Dong – responsável pelas operações na Grande China;
- Carl Grebert – chefe da região de Europa, Oriente Médio e África (EMEA);
- Tom Peddie – comandante do mercado na América do Norte;
- Cathy Sparks – líder para Ásia-Pacífico e América Latina (APLA).
Em um comunicado interno direcionado aos colaboradores, Hill destacou que “a organização precisa ser mais simples e mais rápida”. De acordo com o executivo, as modificações removem barreiras administrativas e posicionam a marca onde o foco em performance é mais urgente. A fabricante tem reforçado que sua prioridade máxima é recuperar o terreno perdido em vestuário e calçados voltados para a alta performance, lidando diretamente com a forte concorrência no setor.
Embora não tenha divulgado detalhes numéricos sobre o impacto financeiro imediato, a varejista enfatizou que a simplificação trará ajustes operacionais significativos, principalmente nos processos de tecnologia e cadeia de suprimentos. Ao integrar a tecnologia diretamente às operações diárias, a marca espera estreitar a relação entre a inovação de produtos, a logística de produção e a experiência digital oferecida ao cliente.
Desde o fim de 2023, a estratégia da empresa tem se concentrado em três frentes principais: proteger as margens de lucro, acelerar o lançamento de produtos de alto giro e impulsionar as vendas por meio de canais próprios, tanto físicos quanto digitais. O novo desenho organizacional foi apresentado como a ferramenta fundamental para destravar essas prioridades e dar mais velocidade à execução global.
A unificação das vendas diretas com o setor financeiro também promete otimizar o controle de custos. A partir de agora, o planejamento de demanda, a precificação, as campanhas promocionais e o controle de estoque passam a ser monitorados sob uma mesma perspectiva financeira, reduzindo o atrito e a sobreposição de tarefas entre departamentos comerciais.
Nos mercados regionais, os novos chefes terão autonomia ampliada para adaptar o sortimento de produtos, os calendários de lançamentos e as campanhas de marketing de acordo com as particularidades de cada país, mantendo o alinhamento com as metas trimestrais estabelecidas pela matriz global. A intenção é descentralizar as decisões táticas sem perder a governança corporativa.
A empresa ressaltou que esse realinhamento não altera as metas financeiras previamente comunicadas ao mercado, mas serve como um facilitador para alcançar esses objetivos com maior consistência. No balanço anterior, a companhia já havia projetado melhorias na gestão de estoques, ampliação da rentabilidade e fortalecimento do fluxo de caixa livre.
Apesar de não anunciar cortes expressivos de pessoal além da extinção formal dos cargos de diretoria executiva, dirigentes sinalizaram que alguns profissionais poderão ser remanejados internamente entre as áreas de tecnologia, finanças e vendas conforme o novo modelo for implementado.

Imagem: Internet
Reforçando o tom da mudança, Hill concluiu que o compromisso da gestão é construir uma empresa mais ágil e focada. A proximidade renovada com os líderes regionais deve permitir respostas rápidas diante de oscilações econômicas e investidas da concorrência, fatores decisivos para recuperar a participação de mercado da marca.
Embora um cronograma detalhado para a conclusão de todas as etapas não tenha sido divulgado publicamente, fontes ligadas à corporação indicam que a transição já está em andamento e deve ser finalizada ainda dentro do atual semestre fiscal, preparando o terreno para o próximo ciclo de negócios.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quem assumiu a liderança da Nike para a Grande China?
Angela Dong foi nomeada para liderar as operações da Nike na Grande China e passa a integrar a equipe de liderança global.
Qual cargo inédito foi criado durante a reestruturação?
A Nike criou o posto de chief operating officer (COO) para centralizar e acelerar temas operacionais.
Quais diretorias foram eliminadas?
As posições de chief technology officer (CTO) e chief commercial officer (CCO) deixam de existir, e suas funções foram redistribuídas.
O que é o programa “Win Now”?
Trata-se da estratégia de recuperação da Nike, voltada para o ganho de performance, maior eficiência de custos e fortalecimento dos canais diretos.
Quando as mudanças entram em vigor?
A empresa indicou que o processo de transição já começou e deve ser concluído ao longo deste semestre fiscal.
Com informações de InfoMoney
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