Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 11 de setembro de 202621:14
Últimas

Correlation entre Bitcoin e ações cresce e desafia tese de diversificação, apontam estudos

Correlation entre Bitcoin e ações cresce e desafia tese de diversificação, apontam estudos

Palavras-chave: Bitcoin, correlação, ações, criptomoedas, diversificação de portfólio, mercado financeiro, volatilidade, spillover, fintech, alta beta, tecnologia

Bitcoin deixa de ser “ativo isolado” e passa a acompanhar o humor do mercado

Durante boa parte da última década, o Bitcoin foi apresentado como a solução definitiva para diversificar carteiras de investimento, supostamente imune aos choques repentinos que afetam as bolsas de valores tradicionais. Pesquisas iniciais, como a de Liu e Tsyvinski (2021), sustentavam essa visão ao apontarem uma exposição mínima das principais criptomoedas aos fatores de risco habituais de ações, títulos de renda fixa e câmbio. Naquela época, os retornos do setor eram explicados sobretudo por dinâmicas internas do ecossistema digital, como o momentum e o interesse do varejo.

No entanto, esse cenário mudou bastante. Uma série de estudos recentes conclui que criptomoedas e ações caminham lado a lado com cada vez mais frequência, especialmente em momentos de tensão macroeconômica ou geopolítica. Para quem atua no mercado ou estuda o ecossistema de fintechs, o recado é claro: os criptoativos perderam o status de proteção isolada e passaram a se comportar como ativos de tecnologia de alta beta, altamente sensíveis a taxas de juros, liquidez global e a episódios de aversão ao risco.

Painel de preços de criptomoedas e sua relação com o mercado acionário
Indicadores de preço de criptomoedas. Foto: Unsplash / Executium

Revisões e evidências recentes

Uma revisão abrangente conduzida por Adelopo et al. (2025) compilou os principais achados sobre a relação entre o mercado cripto e as finanças tradicionais. O levantamento confirma ligações estreitas — que se mostram variáveis ao longo do tempo e não lineares —, tornando-se ainda mais evidentes em períodos de crise aguda, como a pandemia de COVID-19 e o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Investigações focadas em frentes específicas reforçam esse mesmo padrão de comportamento:

  • Umar, Kenourgios e Papathanasiou (2021) identificam uma forte interconexão entre o mercado de criptomoedas e o setor de tecnologia.
  • Frankovic (2022) aponta que empresas listadas com exposição à tecnologia blockchain sofrem variações diretas motivadas pelas oscilações dos ativos digitais.

Essas conexões ultrapassam fronteiras locais. Um Modelo VAR Global Bayesiano desenvolvido por Vuković (2025) demonstra que choques negativos originados no universo cripto conseguem deprimir bolsas, títulos de dívida, câmbio e índices de volatilidade em vários países, indo muito além dos Estados Unidos.

Conexões identificadas em diferentes frentes

Outros especialistas detalham dinâmicas semelhantes na mesma direção:

  • Ghorbel et al. (2024) mostram que as principais criptomoedas se tornaram emissoras e receptoras fundamentais de choques para índices acionários do G7 e para o ouro, com laços muito mais fortes em fases de instabilidade.
  • Lamine et al. (2024) identificam um fluxo significativo de contágio (spillover) de criptomoedas para os mercados dos Estados Unidos e da China, concentrado em janelas de volatilidade elevada.
  • Sajeev et al. (2022) documentam o impacto do Bitcoin sobre praças como a Índia, Xangai, Londres e o índice Dow Jones ao analisarem a correlação entre os anos de 2017 e 2021.

Organismos multilaterais também corroboram essa leitura. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI, 2022) estima que oscilações no preço do Bitcoin respondem por parcelas que variam de alguns pontos percentuais até dois dígitos da volatilidade global das ações — uma influência que aumentou conforme os mercados de derivativos e produtos institucionais ganharam maturidade.

Tela de negociação financeira e o comportamento do mercado
Volume elevado de negociação une criptos e ações em períodos de estresse. Foto: Unsplash / Chris Liverani

Por que o Bitcoin acompanha o setor de tecnologia?

Três razões centrais ajudam a compreender por que essa aproximação aconteceu de forma tão intensa:

  1. Sensibilidade aos juros e prazos. Tanto as criptomoedas quanto as ações de empresas de crescimento dependem de expectativas de fluxos futuros ou do valor projetado de suas redes. Quando os rendimentos reais (yields) sobem, o fator de desconto aumenta e ambos os mercados sofrem correções conjuntamente.
  2. Perfil de investidores e alavancagem. A forte presença do varejo, o uso de estratégias focadas em tendências (momentum) e o acesso facilitado a derivativos unem os dois mundos. Contratos futuros, opções e produtos regulamentados amplificam e propagam choques rapidamente.
  3. Alocação institucional de portfólio. Com a entrada dos criptoativos em carteiras diversificadas e grandes fundos, o desempenho passou a refletir o apetite global ao risco. Quando gestores decidem enxugar o risco, os ativos considerados mais arriscados saem da carteira de uma só vez.

Vale lembrar que, enquanto investidores buscam entender essas dinâmicas globais, muitos brasileiros também avaliam opções tradicionais mais seguras no mercado interno — vale a pena conferir nossa análise sobre a manutenção da Selic em patamares elevados e os melhores investimentos em renda fixa.

Implicações para alocação de ativos

As pesquisas convergem para alguns pontos fundamentais:

  • Em momentos de calmaria, as correlações costumam se manter moderadas, permitindo algum grau de diversificação.
  • Em cenários de estresse, a correlação e o contágio disparam, o que diminui drasticamente a proteção esperada para a carteira.
  • Bitcoin e grandes altcoins acabam funcionando menos como um “ouro digital” e mais como uma versão alavancada do sentimento de risco dos mercados tradicionais.

Isso não anula completamente a utilidade de ter criptoativos no portfólio, mas reduz bastante o argumento de que funcionam como um ganho totalmente descorrelacionado. Fica em aberto para os analistas saber se a chegada de novos produtos, como os ETFs à vista, vai estreitar ainda mais essas amarras ou se o uso prático das moedas trará fatores independentes no longo prazo.

Perguntas frequentes (FAQ)

Bitcoin ainda serve como diversificador de carteira?
Dados recentes mostram que o ativo diversifica de forma mais eficiente em períodos de estabilidade. Quando o mercado entra em crise, a correlação com as ações dispara, enfraquecendo esse benefício.

Gráficos de mercado financeiro e análise de investimentos

Imagem: Internet

Por que a correlação aumenta exatamente quando a diversificação é mais necessária?
Porque grandes gestores reduzem a exposição ao risco simultaneamente quando a liquidez encolhe, retirando capital de todas as frentes consideradas arriscadas ao mesmo tempo.

Quais estudos comprovam o vínculo entre criptomoedas e ações?
Entre os principais trabalhos estão os de Adelopo et al. (2025), Umar et al. (2021), Frankovic (2022), Vuković (2025), Ghorbel et al. (2024), Lamine et al. (2024), Sajeev et al. (2022) e a análise do FMI (2022).

A adoção de ETFs spot de Bitcoin pode mudar o cenário?
Os especialistas ainda divergem: alguns acreditam que a integração institucional aprofundará os laços com o mercado tradicional, enquanto outros esperam que novos usos possam criar dinâmicas próprias.

Criptomoedas se comportam como ouro digital?
Não necessariamente. As pesquisas demonstram que o comportamento recente se aproxima muito mais ao de ações de tecnologia de alta volatilidade do que ao de portos seguros clássicos.

Como medir a correlação entre Bitcoin e ações?
Os pesquisadores aplicam modelos estatísticos avançados, como VAR, redes de conectividade e métricas de transbordamento (spillover), para examinar essa interdependência.

O que é “alta beta” no contexto deste debate?
Trata-se da tendência de um ativo se mover com intensidade maior do que o mercado como um todo quando o humor muda — subindo mais forte em momentos de euforia e caindo com mais força em crises.

Atores acadêmicos envolvidos

Entre os nomes de destaque citados nas pesquisas recentes estão:

  • Andrew Urquhart, Professor de Finanças e Tecnologia Financeira na Birmingham Business School.
  • Yukun Liu e Aleksandar Tsyvinski, pesquisadores responsáveis por trabalhos fundamentais sobre riscos e retornos em ativos digitais.
  • I. Adelopo, coordenador de revisões acadêmicas sobre interconectividade de mercados.

Conclusão dos estudos

O panorama que se desenha aponta que as criptomoedas estão profundamente integradas ao ecossistema global de risco. Quando o cenário macroeconômico azeda, o Bitcoin — antes visto como uma rota de fuga independente — tendeu a mimetizar o movimento das bolsas tradicionais.

— Fim —

Com informações de Portal do Bitcoin

#Bitcoin #MercadoFinanceiro #Criptomoedas #Investimentos #Economia #Acoes

Você notou essa aproximação entre o mercado cripto e as bolsas ultimamente? Deixe sua opinião nos comentários abaixo!

CompartilharWhatsApp
Escrito por

Jonas

Você também pode gostar

Deixe seu comentário