Prefixados de até 19% ao ano ganham destaque com inflação sob controle e expectativa de queda da Selic

O alívio recente da inflação para patamares dentro da meta oficial do Banco Central está reorganizando o mapa da renda fixa brasileira. Depois de quase dois anos acima do centro da meta, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) recuou, permitindo que o mercado antecipe uma virada no ciclo de juros. A projeção é que a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, deslize para algo próximo de 12,5% em 2026 e 10,5% em 2027, abrindo espaço para uma reavaliação completa das estratégias de investimento.

Quem se beneficia com o novo cenário

Na prática, o movimento favorece papéis prefixados, que oferecem ao investidor a possibilidade de fixar taxas elevadas antes do recuo dos juros. Enquanto CDBs, LCIs e fundos pós-fixados atrelados ao CDI ainda pagam até 118% do indicador — o equivalente a cerca de 17,5% ao ano —, a tendência é que esses retornos diminuam conforme a Selic cai. Em contrapartida, títulos prefixados já exibem remuneração garantida entre 14,2% e 15,75% ao ano para vencimentos de um a cinco anos.

Por que o CDI deve render menos

Com a Selic em trajetória de queda, o CDI — indicador que serve de base à maior parte dos pós-fixados — acompanha o mesmo movimento. A consequência direta é a redução automática da rentabilidade desses ativos. Para prazos de dois a três anos, por exemplo, especialistas calculam que a taxa média pode recuar para a faixa de 14% a 15% ao ano, diminuindo o ganho real no longo prazo e reduzindo a previsibilidade de retorno.

Taxas prefixadas disponíveis hoje

Dados de plataformas de investimento mostram as seguintes oportunidades na renda fixa prefixada:

  • 15,0% a 15,75% ao ano para vencimentos de 12 meses;
  • 15,0% a 15,25% ao ano para prazos de 24 meses;
  • 14,2% a 14,5% ao ano para compromissos entre 36 e 60 meses.

Nesse formato, o investidor assegura a taxa no ponto alto do ciclo e evita a corrosão da remuneração quando o CDI declinar. Caso a inflação continue cedendo, o ganho real tende a ser ainda maior.

Importância da reserva de emergência

Mesmo diante de prêmios tão elevados nos prefixados, aplicações pós-fixadas seguem essenciais para necessidades de curto prazo. Tesouro Selic, CDBs ou LCIs com liquidez diária seguem como ferramentas prioritárias para cobrir despesas imprevistas, pois aliam segurança, liquidez imediata e ausência de volatilidade significativa.

Prefixados que chegam a 19% ao ano

O movimento de busca por taxas fixas elevadas fez surgir instrumentos de crédito privado capazes de pagar até 19% ao ano. Entre os principais veículos estão Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e debêntures estruturadas, lastreadas em operações reais de crédito e ativos físicos de alto valor.

O modelo funciona porque, ao captar recursos diretamente no mercado, as companhias envolvidas pagam menos do que gastariam em linhas bancárias tradicionais, repassando parte dessa economia ao investidor. São produtos indicados apenas para parcelas específicas da carteira, voltados a perfis moderados ou arrojados e com horizonte mínimo de dois a cinco anos — sempre fora da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Efeito multiplicador na bolsa e nos fundos imobiliários

A queda dos juros não se limita a impulsionar os prefixados. Historicamente, momentos de Selic descendente favorecem a valorização dos fundos imobiliários, a expansão dos múltiplos de ações e a migração de capital para ativos de maior risco. Em 2024, o Ibovespa já acumula alta superior a 30%, refletindo essa antecipação dos investidores.

Riscos que mantêm a necessidade de diversificação

Apesar do quadro positivo, fatores como eleições, política fiscal, pressões cambiais ou choques externos podem alterar o roteiro. Por isso, gestores reforçam a importância de combinar:

  • pós-fixados para liquidez;
  • prefixados para travar taxas elevadas;
  • papéis indexados ao IPCA para proteção contra eventuais repiques inflacionários;
  • fundos imobiliários para geração de renda mensal;
  • ações para potencial de valorização no longo prazo.

Essa composição diminui a dependência de uma única variável econômica e permite capturar ganhos em cenários distintos.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Como funcionam os títulos prefixados?
São papéis que definem no momento da aplicação exatamente qual será a rentabilidade até o vencimento, independentemente de futuras variações da Selic ou do CDI.

Prefixados de 19% ao ano são seguros?
Essas taxas estão atreladas a estruturas de crédito privado fora do FGC. O investidor deve avaliar rating da operação, lastro, prazo e encarar o produto como parte de uma estratégia diversificada, adequada ao seu perfil de risco.

Vale a pena trocar todos os pós-fixados por prefixados?
Não. Pós-fixados seguem indispensáveis para a reserva de emergência e para necessidades de liquidez diária, pois permitem resgates imediatos sem grandes impactos na rentabilidade.

Há imposto de renda sobre prefixados?
Sim. Títulos privados, CDBs e a maior parte dos papéis prefixados seguem a tabela regressiva do IR para renda fixa. O percentual cai de 22,5% para 15% conforme o prazo de permanência aumenta.

Qual o prazo ideal para investir em prefixados hoje?
Especialistas sugerem de dois a cinco anos para capturar boa parte do ajuste na curva de juros, travando taxas altas e evitando exposição muito longa a eventuais mudanças econômicas.

Imagens ilustrativas

Cédulas e moedas representando investimentos em renda fixa

Gráfico de juros em queda e moedas sobre a mesa

A normalização da inflação e a perspectiva de Selic em queda sinalizam uma mudança histórica no ciclo da renda fixa brasileira. Nesse contexto, títulos prefixados entre 15% e 19% ao ano surgem como oportunidade para travar altas taxas e aumentar o ganho real, desde que o investidor mantenha estratégia diversificada e respeite seu perfil de risco.

Com informações de A Revista

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