Nova York, EUA – A engenheira de computação Luana Lopes Lara, 29 anos, tornou-se a mulher mais jovem a alcançar fortuna bilionária com recursos próprios depois que a Kalshi, plataforma de negociação de contratos de eventos que cofundou em 2018, foi avaliada em US$ 11 bilhões. O marco, divulgado em dezembro de 2025, ocorreu após uma rodada de investimento de US$ 1 bilhão liderada por Paradigm, Sequoia Capital e Andreessen Horowitz.
Trajetória marcada por disciplina, balé e Ciência da Computação
Antes de ingressar no massachusetts Institute of Technology (MIT) e mergulhar no universo do mercado financeiro, Luana construiu uma rotina de alta performance na Escola do Teatro Bolshoi em Joinville (SC). A futura empreendedora conciliava ensaios exaustivos de balé com olimpíadas científicas, em que conquistou medalhas de ouro e bronze. A disciplina adquirida nos palcos a acompanhou na mudança para a Áustria, onde atuou brevemente como bailarina profissional, e, posteriormente, na decisão de migrar para a tecnologia, já instalada nos Estados Unidos.
No MIT, Luana conheceu o libanês Tarek Mansour, também aluno de Ciência da Computação. A afinidade intelectual resultou na criação da Kalshi, sigla que remete a “market calibration”, ideia central do negócio: oferecer um mercado de previsão formal e regulado, permitindo que investidores comprem contratos baseados em eventos futuros — tais como eleições presidenciais, decisões de política monetária, dados de inflação ou resultados de grandes campeonatos esportivos.
Batalha regulatória até a aprovação federal
Embora o conceito de “contratos de evento” já circulasse em meios acadêmicos, nenhum serviço comercial havia recebido sinal verde para operar em todo o território dos EUA. A dupla submeteu, em 2018, seu modelo à Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência que supervisiona derivativos no país. O processo exigiu quatro anos de análises técnicas, adequação de sistemas de compliance e intermináveis reuniões com equipes jurídicas.
Em 2020, a CFTC enquadrou oficialmente a Kalshi como “mercado de contratos de eventos”, decisão que abriu as portas para atuação nos 50 Estados, inclusive em jurisdições que proíbem apostas online. “Fomos diligentes e cumprimos cada demanda”, afirmou Luana à Bloomberg em entrevista de 2022, destacando a resiliente estratégia para cruzar a “linha de chegada” regulatória.
Disputas judiciais e consolidação no mercado
Mesmo após a autorização, a startup viveu novo embate em 2023, quando contestou na Justiça uma mudança de entendimento da própria CFTC sobre limites de volume em determinados contratos políticos. A Kalshi venceu a ação, reforçando a legitimidade de seu modelo e ampliando a base de usuários institucionais e de varejo. Desde então, o volume negociado saltou para mais de US$ 1 bilhão por semana, segundo dados internos divulgados aos investidores.
Aporte de US$ 1 bilhão empurra valuation para a casa dos 11 bi
Com o negócio em alta, a Kalshi atraiu atenção de alguns dos maiores fundos de venture capital do mundo. Paradigm, Sequoia e Andreessen Horowitz – nomes recorrentes em rodadas de unicórnios da tecnologia financeira – lideraram um investimento de US$ 1 bilhão, elevando o valor de mercado para US$ 11 bilhões. A fatia acionária de Luana passou a representar patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão, status que lhe rendeu o título de mulher bilionária self-made mais jovem do planeta, segundo a Forbes.
Integrações estratégicas e expansão de liquidez
Para escalar a base de clientes, a Kalshi firmou parcerias com plataformas populares entre investidores de varejo, incluindo Robinhood, Webull e Google Finance. Também iniciou tratativas com ligas esportivas para listar contratos ligados a estatísticas de partidas e performance de atletas. Ao mesmo tempo, a empresa concorre diretamente com a Polymarket, que opera via blockchain, porém sem a mesma cobertura regulatória federal.
A diferenciação central da fintech brasileira-americana é ressaltar a utilidade dos contratos para descoberta de preço e gestão de risco, evitando o rótulo de “site de apostas”. A tese convenceu grandes players institucionais, que veem nos mercados de previsão um mecanismo adicional para proteger carteiras contra eventos macroeconômicos, ao estilo de seguros paramétricos.
Palavras-chave que dominam as buscas diárias
Entre os termos mais procurados por usuários interessados em investimentos alternativos estão “Kalshi”, “mercado de previsão”, “contrato de evento”, “CFTC”, “Luana Lopes Lara”, “startup bilionária”, “fintech”, “roboadvisor”, “investimento em eleições” e “como proteger carteira contra inflação”. A presença recorrente dessas expressões reflete a curiosidade por produtos que fogem do padrão ações-títulos-fundos, mas que permanecem dentro do arcabouço regulatório norte-americano.
Imagem: Internet
FAQ – Perguntas frequentes
O que é a Kalshi?
Plataforma registrada na CFTC que viabiliza negociação de contratos baseados em eventos futuros, como resultados eleitorais, indicadores econômicos ou jogos esportivos.
Quem fundou a empresa?
A brasileira Luana Lopes Lara e o libanês Tarek Mansour, ambos formados em Ciência da Computação pelo MIT, em 2018.
Por que a Kalshi não é considerada casa de apostas?
A companhia se define como mercado de derivativos focado em gestão de risco e descoberta de preço, operando sob normas federais que regulam futuros e opções, e não sob leis estaduais de jogos.
Quais são os principais investidores?
Paradigm, Sequoia Capital e Andreessen Horowitz lideraram a última rodada, avaliando a fintech em US$ 11 bilhões.
Qual o volume diário negociado?
Após vitórias judiciais em 2023, a plataforma supera US$ 1 bilhão por semana em contratos de evento.
Imagens
Com operações autorizadas nos 50 Estados, sinergias com corretoras digitais e atenção renovada de reguladores estaduais, a Kalshi amplia sua presença no ecossistema global de finanças de previsão. O posicionamento permite à startup disputar espaço com rivais baseados em blockchain, ao mesmo tempo em que preserva a legitimidade conferida pela CFTC. A ascensão de Luana Lopes Lara, de bailarina do Bolshoi a bilionária do MIT, reforça o protagonismo de empreendedoras latino-americanas no cenário de tecnologia financeira de alto impacto.
Com informações de Portal do Bitcoin