Tesouro IPCA volta a pagar 8% ao ano e aquece disputa entre investidores

Os títulos do Tesouro IPCA+ voltaram a registrar taxas próximas de 8% ao ano, nível que não aparecia desde 2016. A remuneração, calculada como “inflação medida pelo IPCA + juro real fixo”, provocou corrida de investidores em busca de rendimento elevado com proteção contra a inflação.

O que está acontecendo

Quem: Governo federal, por meio do Tesouro Nacional, e investidores pessoa física e institucional.

O que: Ofertas de títulos IPCA+ com rendimento real entre IPCA + 7,7% e IPCA + 8%.

Quando: Movimentos observados nas últimas semanas, em 2024.

Onde: Plataforma Tesouro Direto e mercado secundário.

Como: Taxas elevadas atraem demanda, mas refletem prêmio de risco maior cobrado pelo mercado.

Por que: Percepção de deterioração fiscal, metas de resultado primário questionadas, aumento de gastos e incertezas sobre a trajetória da dívida pública.

Prêmio de risco em alta

Especialistas apontam que o país precisa oferecer juros reais mais altos para atrair compradores diante das dúvidas sobre as contas públicas. Quando há desconfiança quanto à capacidade de honrar compromissos futuros, os rendimentos sobem para compensar o receio dos credores.

Gráfico ilustrando crescimento de juros no Tesouro IPCA

Consequências para o investidor

1. Rendimento travado no vencimento: quem compra hoje e leva o papel até a data final receberá o IPCA acumulado mais a taxa contratada.

2. Marcação a mercado: variações de preço no curto prazo podem gerar ganhos ou perdas se o título for vendido antes do prazo.

3. Volatilidade elevada: quanto mais longo o vencimento (por exemplo, IPCA+ 2060), maior a sensibilidade às mudanças das taxas.

Riscos visíveis e invisíveis

Queda ou alta brusca nas cotações: títulos longos sofreram oscilações de dois dígitos em semanas passadas.

Inflação persistente: se o índice de preços permanecer alto, as taxas podem continuar pressionadas.

Cenário fiscal: novas revisões de metas ou aumento de despesas públicas tendem a manter o prêmio elevado.

Exemplo de impactos rápidos

• Tesouro IPCA+ 2060 chegou a valorizar cerca de 17% em 12 meses quando os juros recuaram.

• No sentido oposto, em ciclos de estresse fiscal, o mesmo papel já caiu perto de 20% em poucos meses.

Estratégias adotadas por planejadores financeiros

Escada de vencimentos (ladder): distribui o capital em datas diferentes (2029, 2035, 2045, 2060) para reduzir risco e garantir liquidez periódica.

Carteira diversificada: combinação de títulos indexados ao IPCA, pós-fixados (atrelados ao CDI) e prefixados. Dessa forma, o investidor enfrenta cenários de alta ou queda na Selic com maior equilíbrio.

Levar até o vencimento: quem carrega o título até o fim evita surpresas da marcação a mercado e recebe exatamente a taxa pactuada.

Pessoa analisando títulos do Tesouro Direto

Quando pode ser interessante comprar

Aposentadoria: travar juros reais altos por décadas.

Proteção contra inflação: títulos IPCA+ mantêm o poder de compra do capital.

Horizonte longo: investidores dispostos a manter o papel até o vencimento.

Quando pode não ser adequado

Busca de lucros rápidos: volatilidade pode gerar perdas se a venda ocorrer em curto prazo.

Desconhecimento de marcação a mercado: não entender o funcionamento aumenta o risco de decisões precipitadas.

Necessidade de resgatar antes da hora: emergências podem forçar venda em momento desfavorável.

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Perguntas frequentes (FAQ)

1. O Tesouro IPCA é seguro?

Sim. Trata-se de título emitido pelo governo federal. O risco de crédito é soberano, considerado o mais baixo do país.

2. Posso perder dinheiro?

É possível ter prejuízo se vender antes do vencimento em um momento de alta das taxas, devido à marcação a mercado. Levar o título até a data final elimina esse risco.

3. Qual é o melhor vencimento?

Depende do objetivo. Prazos longos oferecem maior juro real, mas também mais oscilação. Prazos curtos reduzem volatilidade, porém pagam menos.

4. Como faço para comprar?

Basta ter conta em uma corretora habilitada no Tesouro Direto, transferir recursos e selecionar o título na plataforma.

5. Há cobrança de taxas?

Sim. Incidem Imposto de Renda regressivo (15% a 22,5%) sobre o ganho real e taxa de custódia da B3, atualmente de 0,20% ao ano sobre o valor investido.

6. Vale a pena vender quando a cotação sobe?

A decisão varia conforme o planejamento financeiro. Vender após forte valorização pode cristalizar ganhos, mas implica reinvestir em outros ativos possivelmente com taxa menor.

Resumo

Taxas de IPCA + 8% reacenderam o interesse pelo Tesouro Direto, mas também escancararam a volatilidade dos papéis de longo prazo. Investidores com horizonte estendido e perfil compatível podem se beneficiar do juro real elevado. Já quem busca retorno rápido precisa considerar cuidadosamente os riscos de curto prazo.

Com informações de A Revista

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