A taxa básica de juros do Brasil segue em 15% ao ano, maior nível desde 2006, reforçando o protagonismo da renda fixa no portfólio de investidores domésticos e internacionais. Enquanto economias emergentes como México, Índia e África do Sul iniciam cortes em suas taxas, o Comitê de Política Monetária (Copom) brasileiro ainda sustenta juros elevados, cenário que abre espaço para rentabilidades expressivas em CDBs prefixados, Tesouro Direto, LCI e LCA.
Projeção de início do ciclo de queda em 2026
Projeções de mercado sinalizam mais de 60% de probabilidade de redução da Selic já na reunião do Copom marcada para janeiro de 2026. Caso o corte não se concretize nessa data, analistas apontam mais de 70% de chance de o movimento começar em março. A confirmação dessa tendência será determinante para a precificação de títulos públicos e privados, influenciando estratégias de marcação a mercado.
Tesouro Direto: taxas ainda perto de máximas históricas
No programa Tesouro Direto, três modalidades continuam concentrando a atenção do investidor que busca previsibilidade:
- Tesouro Prefixado: remuneração em torno de 13% ao ano, nível comparável ao pico de 13,85% registrado na última década. O investidor sabe, no ato da compra, exatamente quanto receberá se levar o título até o vencimento.
- Tesouro IPCA+: retorno real entre 7% e 8% ao ano, inclusive em papéis de longo prazo como o Tesouro Renda+, voltado à aposentadoria. Caso o juro real recue para 4% nos próximos anos, a valorização pode superar 300% via marcação a mercado.
- Tesouro Selic: indicado para reserva de emergência ou caixa de oportunidade, por não sofrer oscilações relevantes com alta ou baixa na curva de juros.
CDBs prefixados pagam até 16,5% ao ano
Bancos médios e digitais lideram a oferta de CDBs prefixados com taxas competitivas:
- C6 Bank: 16,4% ao ano, vencimento em 2026;
- Banco BMG: 15,5% ao ano, resgate previsto para 2027;
- PicPay: 14,34% ao ano, prazo alongado até 2030.
Já os CDBs atrelados ao IPCA perdem competitividade perante o Tesouro IPCA+, pois entregam remuneração semelhante, porém com risco de crédito superior. Para horizontes longos, especialistas consideram vantajosos apenas CDBs prefixados que ofereçam pelo menos dois pontos percentuais acima da inflação projetada.
LCI e LCA: isenção de IR preserva rendimento líquido
Entre os títulos lastreados em crédito imobiliário (LCI) e crédito do agronegócio (LCA), duas modalidades atraem o investidor conservador:
- LCI/LCA prefixadas: pagam até 12% ao ano sem cobrança de Imposto de Renda;
- LCI/LCA IPCA+: oferecem taxa real de até 7% ao ano, também livres de tributação.
Para conquistar um retorno líquido equivalente a 1% ao mês (aprox. 12,68% ao ano, considerando juros compostos), títulos isentos de IR precisam ficar próximos ou acima desse patamar.
Imagem: André Carvalho
Critérios de escolha: rentabilidade real, emissor e diversificação
Em eventual cenário de volatilidade global ou crise financeira em 2026, a combinação de taxas elevadas e ativos seguros deve nortear decisões na renda fixa. Pontos de atenção:
- Rentabilidade real: títulos prefixados devem oferecer, no mínimo, 2% acima do IPCA esperado.
- Sólidez do emissor: priorizar bancos bem avaliados para reduzir risco de crédito, evitando situações como a recente dificuldade de liquidez enfrentada pelo Banco Master.
- Diversificação de corretoras: aplicar por intermédio de mais de uma plataforma ajuda a diluir risco operacional e encontrar oportunidades de preço.
Palavras-chave buscadas diariamente
Os seguintes termos aparecem com frequência nas consultas de investidores e compõem uma base de SEO relevante: “taxa Selic hoje”, “melhores CDBs 2026”, “Tesouro IPCA 2026”, “LCI isenta de IR”, “onde investir com Selic alta”, “marcação a mercado Tesouro Direto”, “renda fixa prefixada”.
Perguntas frequentes (FAQ)
- Qual é o melhor investimento em renda fixa enquanto a Selic permanece em 15%?
- Não há um único produto que sirva para todos os perfis. Tesouro Selic é indicado para reserva de emergência, Tesouro Prefixado e CDBs longos oferecem previsibilidade, enquanto Tesouro IPCA+ e LCI/LCA IPCA+ protegem contra a inflação.
- CDB de banco médio é seguro?
- Os CDBs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Ainda assim, avaliar o balanço do banco emissor é prudente.
- Vale a pena comprar Tesouro IPCA+ agora ou esperar queda na Selic?
- Se a curva de juros já precifica parte do recuo nos próximos anos, o investidor que entrar hoje pode capturar valorização adicional caso o juro real caia mais do que o esperado.
- LCI e LCA sempre rendem menos que CDB?
- Nem sempre. Por serem isentas de IR, LCI e LCA podem entregar ganho líquido equivalente ou superior ao de um CDB tributado, especialmente em prazos curtos a médios.
- Como funciona a marcação a mercado dos títulos públicos?
- Todos os dias o Tesouro atualiza o preço de compra e venda dos títulos. Se a taxa de juros no mercado cair, o papel prefixado ou IPCA+ se valoriza; se subir, ocorre desvalorização. O investidor só realiza ganho ou perda caso venda antes do vencimento.
Imagens
Com a Selic mantida em 15% e oportunidades que chegam a 16,5% ao ano em CDBs, além de juros reais de até 8% em Tesouro IPCA+, o investidor atento pode travar retornos expressivos antes do esperado ciclo de queda. A escolha entre prefixado, pós-fixado ou híbrido dependerá do horizonte de investimento, perfil de risco e necessidade de liquidez.
Com informações de A Revista